O olhar da mídia Jovem no plano de manejo do Parque Nacional do Jaú


Jovens ribeirinhos dos rios Unini (Barcelos) e Jaú (Novo Airão), que vivem dentro de áreas protegidas no Baixo Rio Negro (Amazonas), experimentar o registro, em áudio, vídeo e fotografia, as atividades que envolvem a revisão participativa do plano de manejo do Parque Nacional do Jaú, Unidade de Conservação com 2,3 milhões de hectares, que protege uma das maiores áreas de floresta tropical do mundo. O plano de manejo é o documento que norteia os usos de uma área protegida, incluindo as áreas destinadas para a realização de pesquisas, turismo, educação ambiental, proteção, usos tradicionais, etc. A iniciativa é uma realização da Fundação Vitória Amazônica (FVA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Cerca de 20 jovens participam, nos próximos dias 4 a 6 de fevereiro de 2017, da Oficina de preparação para Cobertura Educomunicativa do Parque Nacional do Jaú, no Espaço FVA em Novo Airão (190 km de Manaus). A condução da oficina será realizada pela FVA e por voluntários parceiros das áreas de comunicação e cultura, como o Coletivo Difusão e o Centro Popular do Audiovisual (CPA), que atua na difusão e capacitação para o audiovisual, de Manaus; Projeto Saúde e Alegria (PSA), de Santarém; e um representante da Reserva Extrativista Riozinho da Liberdade, do Acre. Na foto, o arte-educador do PSA, Walter Oliveira, filmando com os jovens Daniel Marquez, Thales Brazão e Diego Meloso Prata.

Comunicação e lideranças jovens– O Plano de Manejo do Parque Nacional do Jaú foi elaborado incialmente em 1998 e necessita ser revisado, para que as informações sejam atualizadas e um novo planejamento seja elaborado. Este trabalho será feito em várias etapas ao longo de 2017, envolvendo o poder público e a sociedade civil: comunidades, pesquisadores, empresários e ONGs parceiras. Os jovens irão registrar essas atividades em rádio, vídeo e jornal mural para serem apresentados em suas próprias comunidades, melhorando a compreensão e a participação das comunidades neste processo.

A estratégia de produção de mídias pelos jovens faz parte da Educomunicação (que, entre outros, pressupõe a formação de pessoas para utilizarem a comunicação como ferramenta de intervenção da realidade onde vivem), e é uma forma de participação diferenciada dos comunitários nas atividades de gestão de áreas protegidas.

Além de difundir essas mídias em suas comunidades, para informar sobre a revisão do plano de manejo, esse processo desenvolve habilidades de escrita, oralidade, trabalho em grupo, proatividade e mobilização, características que compõem as necessidades das futuras lideranças comunitárias de populações tradicionais que vivem no Rio Negro. O processo de produção de mídias envolve diálogo, acesso a informação e criatividade para que entendam melhor o papel de uma área protegida, e os conflitos em torno de temas como a conservação e o uso de recursos naturais.

Desde  2016 a FVA realiza atividades educomunicativas junto aos Jovens Protagonistas do Rio Unini durante eventos de capacitação, oficinas e reuniões comunitárias (clique aqui e aqui para conferir alguns vídeos produzidos). A oficina com os jovens irá trabalhar produção de pauta, roteiros, planejamento da cobertura das atividades, reflexões sobre o papel da comunicação, o direito de acesso a informação e à expressão, entre outros.

Histórico do Parque e do Plano de Manejo – No primeiro dia da oficina, os jovens participam de uma roda de conversa com líderes comunitários dos rios Unini e Jaú, a chefe do Parque Nacional, Mariana Leitão, e duas convidadas que trabalharam na FVA e acompanharam a história do Parque: Muriel Saragoussi, hoje pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e Maria Jasylene Abreu, hoje integrante do WWF-Brasil. A FVA tem uma parceria histórica com o Parque Nacional do Jaú e a Reserva Extrativista do Rio Unini, que é vizinha ao parque.

Na década de 1990, a FVA foi responsável pela elaboração do plano de manejo, pela realização das primeiras pesquisas científicas e diálogo aberto com as comunidades do interior do rio Jaú. O parque, que pertence a uma categoria de Unidade de Conservação que não permite o uso direto de recursos e, portanto, a presença de moradores, foi criado sem levar em consideração a presença das famílias que ali viviam de forma tradicional.

A atuação do FVA no Parque Nacional do Jaú, à época, foi uma das primeiras experiências de consulta a populações tradicionais para planos de manejo de áreas protegidas, influenciando a necessidade da participação dessas populações nestes documentos orientadores, que hoje é prevista no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), legislação que incide sobre a gestão das áreas protegidas no Brasil. Posteriormente, as atividades de pesquisa e mobilização social da FVA nesse território também influenciaram a criação da Reserva Extrativista do Rio Unini, criada em 2006.

Cinema na praça em Novo Airão – Parceiro da atividade, o Centro Popular do Audiovisual traz para Novo Airão, no dia 3 (sexta), uma sessão do “Cineclube Tudo Muda Após o Play”.  Haverá exibição de curtas, incluindo filmes realizados por comunitários, a partir das 19h na praça principal da cidade.

 

Resumo da oficina de preparação para a cobertura

1º Dia

Árvore de expectativas – Roda de conversa – linha do tempo sobre o Parque Nacional do Jaú e o plano de manejo

Onde estou na linha do tempo – Apresentação sobre a revisão do plano de manejo

Conversa sobre comunicação  – Prática de entrevista – Ouvir, anotar, perguntar e esclarecer

2º dia

Apresentação interativa sobre comunicação  – Planejamento – O que, para quem, como e porque comunicar

Exercícios de produção de mídias coletivas: vídeo, rádio e jornal-mural

3º dia

Apresentação das mídias construídas – Prática de fotografia – Planejamento da cobertura educomunicativa

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A Fundação Vitória Amazônica é uma organização de inovação socioambiental que alia conhecimento tradicional e técnico-científico para a proposição de políticas públicas e alternativas adequadas ao desenvolvimento socioeconômico regional, por meio da conservação e usos alternativos da biodiversidade, garantia dos direitos difusos, autonomia e formação humana, qualidade de vida e bem estar, e valorização das culturas amazônicas.

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