Encontro promove comércio justo entre extrativistas do Rio Negro


a1

A Fundação Vitória Amazônica (FVA) e a Cooperativa Mista Agroextrativista do Rio Unini (COOMARU) estão organizando entre os dias 15 e 16 de Novembro, na comunidade de Terra Nova, Rio Unini (Barcelos), um Encontro de Extrativistas para a promoção dos Pactos Extrativistas da bacia do Rio Negro. Devem participar do encontro, lideranças de extrativistas do Rio Unini e de outras bacias hidrográficas (Rio Preto, Rio Padauiri, Rio Aracá, Rio Demeni, Rio Pudurari e Rio Jaú), além de representantes de entidades compradoras de produtos extrativistas, como a própria COOMARU e a Cooperativa Mista Associação Sardinha (COOPMAS). Também estarão presentes representantes do Governo Federal e do Estado do Amazonas e de outras instituições socioambientais parceiras.

O objetivo do Encontro é desenvolver, em conjunto com parceiros socioambientais, alternativas as formas comerciais atuais, baseadas no ‘sistema de aviamento’, e que quase sempre prejudicam aos produtores extrativistas. Historicamente, explica o coordenador do Programa Conservação Para Gente, Ignacio Oliete Josa, a exploração de produtos na Amazônia, tais como borracha, castanha, piaçaba, cipó e peixe, é marcada pela relação desigual para o coletor e onde a troca do produto não é monetária senão com mercadorias e onde o preço de compra é definido pelo comprador. “Esta forma pode configurar escravidão pela dívida, pois o comprador manipula o preço ao seu favor e o produtor não consegue fechar a conta” lembra Ignacio.

A renovação do extrativismo de produtos da floresta de forma sustentável passa por mudar as relações comerciais entre o produtor e os diferentes elos da cadeia produtiva. A proposta da realização de Pactos Extrativistas é a de estabelecer acordos comerciais mais justos e transparentes tendo o produtor como protagonista, e assim, também, valorizar a cultura dos povos e populações tradicionais da Amazônia. Estes esforços também se alinham com a necessidade de fortalecer iniciativas que promovam a conservação ambiental e a valorização da floresta em pé. Em definitiva:  “Além de coletar e beneficiar os produtos de forma sustentável, por meio dos Pactos Extrativistas pode-se garantir maior participação do produtor na negociação e definição de preços justos e transparentes”, explica o coordenador da FVA.  

a2

Projeto Fibras do Rio Negro nos Pactos Extrativistas

No encontro também será apresentado o projeto para fabricação de vassouras com fibras naturais (cipó e piaçaba) nas próprias comunidades, como forma de aproximar o beneficiamento e a agregação de valor ao produtor. Além da fibra, os outros materiais empregados na fabricação de vassouras procedem da reciclagem de plásticos PET de cooperativas de catadores de Manaus, e a montagem das vassouras dispensa de energia. A ideia é aproximar o beneficiamento da coleta e gerar mais renda na comunidade. Esta iniciativa, além de dar a opção de venda no mercado aberto, se complementa com uma política pública de compra institucional de vassouras liderada pelo Governo do Estado do Amazonas. Por meio desta política se espera apoiar os coletores de fibras de todo o Estado e estimulá-los a melhorar a sua inserção comercial.

Desta forma serão distribuídos 10 conjuntos de máquinas para a produção de vassouras de cipó e piaçava com material reciclado de PET. Esta iniciativa piloto também faz parte do conjunto de ações dos Pactos Extrativistas que procura consolidar alternativas econômicas mais justas para os produtores.

a3

Moradores da Reserva Extrativista do Rio Unini testam máquina de produção de vassouras durante assembléia de moradores realizada em julho de 2016

Share this post

No comments

Add yours

Translate »