A realidade por trás dos mapas


Quem já buscou na internet um mapa geográfico com várias informações, ou alguma vez não precisou de um modelo para artigo ou apresentação? Atualmente, as principais agências de pesquisas ao redor do mundo, utilizam imagens via satélite com alta precisão que oferecem uma série de informações que ajudam a sociedade a entender, as dinâmicas da nossa geografia no planeta. Algumas dessas imagens são bases para diversos estudos, que vão desde o monitoramento de áreas degradadas, até o acompanhamento de espécies em determinadas regiões.

A Fundação Vitória Amazônica (FVA) é uma das instituições pioneiras na Amazônia em estudos de impactos e modelagem de mapas que norteiam diversas pesquisas. O Núcleo de Geoprocessamento da FVA auxilia os outros programas da instituição na confecção de projetos para captação de recursos, mantendo a representatividade da instituição em reuniões técnicas, além atualizar um Sistema de Informação Geográfica (SIG).

Para sistematizar, representar os objetos e fenômenos ocorridos em determinadas áreas de atuação da FVA é necessário que ocorram alguns processos até a confecção dos mapas em si. Com o auxílio de algumas plataformas digitais é possível confeccionar com precisão, tais fenômenos que servirão como base de estudos e projetos.

Para o biólogo e analista do Programa Conhecimento e Conservação (PCC/FVA), Marcelo Santos, algumas etapas são praxe na confecção dos mapas. “Primeiro buscamos uma base de dados, normalmente de livre acesso disponíveis na rede de instituições como, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o MMA (Ministério do Meio Ambiente) e o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)”, falou.

“No caso de modelos de distribuição de espécies após a modelagem, existem técnicas escolha e tomada de decisão, por exemplo, se a proposta for de avaliação de impacto ambiental sobre o habitat de uma espécie em uma determinada área, usamos o que chamamos de ‘limiar de decisão baixo’ para avaliar a perda de habitat. Caso seja para entender a distribuição de uma espécie, usamos o que chamamos de, ‘menor limiar de presença observado (lowest presence treshold)’, explicou o analista.

Programas utilizados

Para compilar os dados e utilizar as aplicações geográficas necessárias para confecção dos mapas, normalmente é utilizada plataforma ArcGIS pelos técnicos da FVA, além de outros softwares de modelagem como, “Maxent” bastante utilizado na análise de variáveis ambientais (altitude, precipitação, vegetação), com recursos que oferecem locais e ocorrências georreferenciados e o “QGIS”, também conhecido como, “Quantum GIS” que disponibiliza um ambiente de trabalho semelhante aos anteriores.

Cores e Filtros

Para a operação nas plataformas de confecção dos mapas, são utilizadas imagens de satélites através de uma composição de bandas RGB, um sistema de cores aditivas, cuja sigla em inglês referencia as iniciais “Red, Green e Blue”, que na tradução em português, significa respectivamente, “Vermelho, Verde e Azul”.

Ainda de acordo com Santos, o processo é minucioso, o que requer maior atenção e sensibilidade na hora de destacar as informações visuais do mapa.  “O profissional também precisa pensar em alguns detalhes para o público que ele tá querendo comunicar. É necessário ficar atento e evitar as cores, azul e vermelho no mesmo mapa, pois se a pessoa for daltônica, ela não terá a compreensão esperada”, disse.

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Marcelo Santos, analista do Programa Conhecimento e Conservação (PCC/FVA)

“O vermelho é muito usado, pois é uma das cores aposemáticas, que são cores que demonstram alerta ou perigo na natureza, assim também como, amarela, preto e o próprio vermelho na combinação dessas cores que realmente chamam a atenção”, completou o analista.

Recentemente a FVA foi responsável pela produção do documentário “Mais Cidade, Menos Floresta”, que reuniu dados históricos, indicadores e fatos que impactam e ou, impactaram no desenvolvimento urbanístico da cidade de Manaus e nos municípios que compreendem a RMM. Além disso, Fundação é uma das instituições capacitadas na Amazônia, na modelagem de mapas e diagnósticos socioambientais que visam aprofundar o conhecimento acerca das dinâmicas sociais, naturais e urbanísticas dos municípios e comunidades na região.

Para o engenheiro florestal e técnico do Núcleo de Geoprocessamento da FVA, Marcelo Moreira, diversos mapas produzidos pela Fundação são referências, ou estão sendo utilizados atualmente em propostas de tomadas de decisões como,  “a produção serviu como base para redelimitação do Parque Nacional do Jaú, do Parque Estadual Rio Negro Setor Norte (AM), além de  mapas que influenciam diretamente políticas públicas ”, enfatizou.

Imagem: Mapa de incidências de focos de incêndio (Arquivo FVA)

Imagem: Mapa de incidências de focos de incêndio (Arquivo FVA)

 

Ainda de acordo com Moreira, os mapas da FVA seguem um protocolo de liberação conforme os manuais internos da instituição voltados para o público externo. Segundo o técnico, a grande procura relacionada aos mapas, partem de estudantes universitários, doutorandos e também instituições ligadas à pesquisa, ciência e tecnologia.

Ainda para 2016, a FVA está avaliando a possibilidade de formação profissional para o SIG em software livre (Quantum GIS), além de uso de ferramentas como Google Earth e Google Street View, para jovens nos municípios que compreendem a RMM.

 

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