Curso resgata a prática do Manejo de Arumã em Novo Airão (AM)


A Associação de Artesãos de Novo Airão – AANA com o apoio da Fundação Vitória Amazônica – FVA realizou nos dias 21, 22 e 23 de março o Curso de Manejo de Arumã realizado na comunidade do Sobradinho no município de Novo Airão (AM) . A formação teve como objetivo resgatar as técnicas de manejo do arumã e capacitar novos coletores em boas práticas.

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O curso resgatou a história da AANA no manejo do arumã, os conceitos básicos de sustentabilidade, manejo de produtos florestais não madeireiros e a prática da coleta. Para a prática de coleta, duas áreas de coleta e manejo de arumã, que estavam em repouso há oito anos, foram visitadas; na ocasião, 50 feixes foram coletados para a AANA.

Carlito Freitas dos Santos, o coletor de arumã mais antigo da AANA, foi quem orientou a prática da extração manejada. Experiente, Carlito foi um dos primeiros coletores da Associação, e ajudou na construção do plano de manejo do arumã, e na tese de doutorado de Erika Nakazono, que analisou a cadeia do arumã e os impactos da coleta na planta.

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Segundo Carlito, o manejo da planta deve ser feito de forma menos impactante possível,  “já cortei muito arumã e não deixei nem um talo, mas hoje eu sei que tenho que deixar no mínimo dois talos maduros e um olho para que a planta se fortaleça e depois de um tempo eu possa voltar na mesma área que eu sei que vou conseguir tirar o arumã”, explicou.

Para o presidente da AANA, Marcos Antônio, a realização do curso ressaltou a importância de todos os envolvidos na cadeia de produção, além de demonstrar na prática a coleta manejada do arumã. Ainda de acordo com o titular da Associação, enfatizou é fundamental que os coletores estejam mais próximos da AANA, para o fortalecimento do coletivo.

A Associação

 A AANA foi fundada 1996, quando um grupo de mulheres tecedoras de fibras vegetais se reuniu para trabalhar em grupo. Seus artesanatos são confeccionados com fibras vegetais, como o arumã, cipó ambé, palha de tucumã. Com essas fibras são feitos tupés, cestos/paneiros, luminárias, abanos, chapéus, bolsas e outros. Dentre todas as peças o tupé é o produto mais cobiçado; feitos com a fibra de arumã e com o design desenvolvido pelos próprios artesãos em grafismos regionais.

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Essa é uma atividade tradicional deixada por seus ancestrais indígenas e é cultivada até os dias atuais pelos artesãos. As atividades de assessoria da FVA junto à AANA ao longo dos últimos anos possibilitaram o desenvolvimento de ações de incentivo e capacitação para a produção, identificação de canais de comercialização, organização para o associativismo e o exercício da cidadania.

O arumã é uma planta herbácea, de tamanho médio a grande, com talos aéreos que podem alcançar vários metros de altura, cresce em locais alagados, como em beira de rios e igarapés, em habitats abertos ou de sombra.

Por Lilia Assunção

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