Metodologia


ETAPAS DE EXECUÇÃO

BASE METODOLÓGICA

COLETA DE DADOS

CAPACITAÇÃO DE MONITORES 

Etapas de execução

O SiMUR está atualmente em sua fase de coleta intensiva de dados. Veja o quadro I.

Quadro I – Síntese das etapas de execução do SiMUR.

Etapas

Atividades realizadas

Planejamento

(2007-2008)

  • Reuniões técnicas internas para definição de objetivos e premissas metodológicas, estruturação geral do sistema, estrutura preliminar de coleta de dados (protocolos) e da base de dados digital.
  • Oficinas comunitárias de apresentação e discussão da proposta, refinamento da estrutura de coleta de dados e indicação de monitores voluntários em cada comunidade (maio/2008).

Piloto

 

(Julho-Dezembro de 2008)

  • I curso de capacitação de monitores e início da coleta de dados (julho/2008). Os protocolosaplicados nesta fase sofreram algumas alterações e adequações para a fase seguinte.
  • Uma excursão de acompanhamento dos trabalhos dos monitores (outubro/2008).

Intensiva

 

(Janeiro de 2009–atual)Realização de atividades regulares previstas:

  • Aperfeiçoamento e alimentação contínua da base de dados.
  • Excursões trimestrais de acompanhamento dos trabalhos dos monitores.
  • II ao VI curso de capacitação de monitores (jun/2009, outubro/2010, agosto/2011, julho/2012, julho/2013).
  • Reuniões técnicas internas periódicas de avaliação do SiMUR e uma oficina de avaliação do SiMUR (julho/2013) .
  • Distribuição de relatórios familiares (semestrais) e comunitários (anuais) consolidados.
  • Divulgação dos resultados e informes do SiMUR em coletivos (oficinas comunitárias, conselhos gestores, assembleia da AMORU).

 Base Metodológica

A metodologia do SiMUR é fundamentada nas seguintes premissas: participação comunitária, diversidade temática e representatividade dos dados, capacitação, eficiência na recuperação de informações e comunicação. Veja o quadro II.

Quadro II – Síntese das premissas metodológicas do SiMUR.

Premissas

Descrição

Participação comunitária Os moradores e os gestores das unidades de conservação da bacia do rio Unini são os principais beneficiários do SiMUR. A participação dos moradores é voluntária e é crucial para dar representatividade às comunidades e continuidade ao SiMUR. A fase de coleta de dados é realizada integralmente por monitores residentes, indicados pelas suas comunidades e famílias participantes do SiMUR.
Diversidade temática e representatividade dos dados O SiMUR foi estruturado para contemplar todo o leque de recursos naturais utilizados pelas famílias residentes na bacia do rio Unini e também de produtos agrícolas. Questionários temáticos são aplicados pelos monitores em entrevistas domiciliares mensais. A participação de cada família é regularmente acompanhada em cada comunidade para garantir uma boa representatividade dos dados.
Capacitação Os monitores precisam participar de cursos anuais de capacitação e têm seus trabalhos acompanhados em campo. Além do treinamento para coleta de dados em si, os monitores precisam ter a compreensão do funcionamento e dos objetivos do SiMUR, e da importância do uso adequado de recursos naturais e da conservação da biodiversidade na região em que vivem. Oficinas comunitárias são realizadas regularmente para repasse de informações e discussões focadas no uso adequado de recursos naturais.
Eficiência na recuperação de informações Uma base dados digital estruturada para armazenar e integrar os dados coletados, e gerar informações segundo os objetivos do SiMUR é continuamente alimentada e aperfeiçoada.
Comunicação A divulgação de informações geradas para seus beneficiários é crucial para que o SiMUR atinja seus objetivos. As famílias e comunidades recebem relatórios periódicos com dados consolidados de declarações prestadas. Os coletivos de divulgação e compartilhamento destas informações para subsidiar discussões sobre uso de recursos naturais da bacia do rio Unini são os conselhos gestores, oficinas e encontros comunitárias.

 Coleta de Dados

A coleta de dados do SiMUR é baseada em protocolos temáticos que foram definidos em função do conhecimento prévio sobre os principais recursos naturais utilizados tradicionalmente pelos moradores da região. Estes protocolos são aplicados por monitores treinados em entrevistas periódicas às famílias participantes. A maior parte dos protocolos é aplicada com periodicidade mensal e as declarações registradas são baseadas em recordações das famílias de eventos ocorridos naquele intervalo mensal. Aos protocolos sobre extrativismo animal e vegetal e produção agrícola, foram agregados ao SiMUR protocolos sobre fauna de interesse para a conservação, abate de predadores (a partir de 2012) e abertura de áreas destinadas à atividade agrícola. Veja o quadro III.

Basicamente os registros são declarações de uso de determinado recurso associado a uma família, um intervalo de tempo, um local e uma quantidade. Para cada declaração de uso de recursos naturais as famílias indicam o local de exploração em um mapa georeferenciado da bacia do rio Unini. Os locais indicados no mapa passam a ser representados por unidades de área correspondentes de 2×2 km (400 hectares).

Quadro III – Síntese dos temas monitorados e da base protocolar de coleta de dados do SiMUR.

Temas ou recursos monitorados

Unidade das entrevistas

Unidade dos registros

Peixes Mensal/família
  • Recordações de peixes coletados nos 2 últimos dias de pescaria do mês, associados a um local, tipo de ambiente e quantidade coletada em número de indivíduos.
  • Recordações de locais explorados nas pescarias/mês.
Peixes ornamentais Ocasional/coletor
  • Recordações de coleta de peixes ornamentais associados a um local, quantidade coletada em número de indivíduos e dados de comercialização.
Quelônios aquáticos Mensal/família
  • Recordações de espécies coletadas (em capturas ativas ou não) associadas a um local, tipo de ambiente e quantidade em número de indivíduos ou ovos e categoria sexo-etária de indivíduos.
Caça Mensal/família
  • Recordações de aves, mamíferos e crocodilianos abatidos (em capturas ativas ou não) associados a um local, tipo de ambiente e quantidade em número de indivíduos e categoria sexo-etária; dados adicionais sobre o abate para algumas espécies (predadores).
Recursos vegetais Mensal/família
  • Recordações de recursos vegetais madeireiros e não-madeireiros coletados associadas a um local, quantidade e dados de comercialização.
Produtos agrícolas Mensal/família
  • Recordações de produtos agrícolas (produtos do roçado) associados à quantidade e dados de comercialização.
Fauna de interesse para a conservação (veja Anexo – Lista*) Mensal/família
  • Recordações de registros visuais de indivíduos e vestígios de pelo menos 26 espécies pré-definidas de um rol de espécies animais de interesse para a conservação associadas a um local e quantidade em número de indivíduos.
Roçados novos Bimensal/família
  • Recordações de abertura de áreas destinadas ao roçado, associadas à cobertura vegetal (mata primária, capoeira, etc.) e tamanho em hectares.

*Anexo – Lista das espécies do protocolo de animais de interesse para a conservação e critérios utilizados para sua seleção.

Critérios Espécie
  • Ameaçadas ou potencialmente ameaçadas com histórico de sobre-exploração (interesse comercial) e consumo local
Trichechus inunguis (peixe-boi), Tapirus terrestris (anta), Arapaima gigas (pirarucu)
  • Ameaçadas ou potencialmente ameaçadas com histórico de sobre-exploração (interesse comercial) e perseguição
Harpia harpyja (gavião-real), Panthera onca (onça-pintada), Pteronura brasiliensis (ariranha)
  • Ameaçadas ou potencialmente ameaçadas com populações raras e/ou distribuição geográfica pouco conhecida
Speothos venaticus (cachorro-do-mato-vinagre), Atelocynus microtis(cachorro-do-mato), Priodontes maximus (tatu-canastra), Podocnemis sextuberculata (iaçá), Myrmecophaga tridactyla (tamanduá-bandeira)
  • Não ameaçadas ou deficiente em dados com histórico de sobre-exploração (interesse comercial) e consumo local
Hydrochoerus hydrochaeris (capivara), Podocnemis expansa (tartaruga-da-Amazônia), Nothocrax urumutum (urumutum), Pauxi spp. (mutum),Aburria cumanensis (cujubim)
  • Não ameaçadas ou deficiente em dados com histórico de sobre-exploração (interesse comercial) e perseguição
Lontra longicaudis (lontra), Puma concolor (onça-vermelha),Melanosuchus niger (jacaré-açu), Eunectes murinus (sucuri)
  • Não ameaçadas ou deficiente em dados com populações raras e/ou distribuição geográfica pouco conhecida
Nasua nasua (quati), Kinosternon scorpioides (cabeçudinho-peito-de-mola), Phrynops spp. (lalá), Chelus fimbriatus (matamatá),Opisthocomus hoazin (cigana), Galictis vittata (janauari)

Capacitação de Monitores

No SiMUR, a participação dos moradores é voluntária. Os monitores são voluntários residentes e indicados por suas comunidades. Os monitores precisam passar pelos cursos anuais de capacitação, onde são treinados nos procedimentos de coleta de dados, na compreensão dos conceitos e objetivos do SiMUR e da importância do uso adequado de recursos naturais e da conservação da biodiversidade da região em que residem. Os cursos de capacitação também oferecem oportunidade aos monitores ter contato com outras linhas e metodologias de pesquisa científica, visando ampliar seu conhecimento e suas perspectivas no sentido de valorizarem seu modo de vida tradicional e estimulá-los a atuarem em prol do bem comum da região em que vivem. Além dos cursos anuais, o trabalho dos monitores é regularmente acompanhado em campo pelos técnicos da FVA.

Durante as oficinas comunitárias de apresentação e estruturação do SiMUR em 2008, foi estabelecido o pagamento de uma ajuda de custo aos monitores proporcional aos dias dedicados às entrevistas. O quadro de monitores do SiMUR está sujeito à dinâmica natural de vidas das famílias, de forma que alguns deixam de atuar como monitores por motivo de mudança de local de moradia, e também à avaliação de seu desempenho como monitor, incluindo a participação nos cursos de capacitação.

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